sábado, 14 de julho de 2018

[Resenha] O Tempo e o Vento: O Continente I - Érico Veríssimo

"Ana Terra estava de tal maneira habituada ao vento que até parecia entender o que ele dizia. E nas noites de ventania ela pensava principalmente em sepulturas e naqueles que tinham ido para o outro mundo. Era como se eles chegassem um por um e ficassem ao redor dela, contando casos e perguntando dos vivos. Era por isso que muito mais tarde, sendo já mulher feita, Bibiana ouvia a avó dizer quando ventava: 'noite dos ventos, noite dos mortos.'" Pg. 155

Tomei por desafio ler toda a série épica de O Tempo e o Vento, escrito pelo mestre Érico Veríssimo. Pra quem é do Rio Grande do Sul, a obra e personagens como Ana Terra e o capitão Rodrigo Cambará são velhos conhecidos. Mas para quem não está familiarizado, O Tempo e o Vento é uma série composta por três grandes livros: O Continente (2 volumes), O Retrato (2 volumes) e O Arquipélago (3 volumes). No decorrer das páginas desses livros, nos é contada a história da família Terra-Cambará aliada a própria história do estado do Rio Grande do Sul.

O Continente I é o início dessa história. Apesar de se inciar com uma família sitiada em um sobrado em meio a uma guerra, a história logo volta para os tempos da fundação. Somos levados para as missões, onde os padres jesuítas educavam os índios e apresentados a Pedro Missioneiro, um místico índio que tem visões. Logo adiante, chegamos a uma estância completamente afastada da civilização e então apresentados a Ana Terra, personagem que a princípio esbanja inocência, mas que a brutalidade do tempo em que vive logo trata de endurecer.

É compreensível Ana Terra e Um Certo Capitão Rodrigo, até então, partes de O Continente I, terem ganhado edições pela Editora O Globo. São os capítulos mais emocionantes do livro. Ana Terra, a moça simples, rústica, filha de estancieiro, passa por situações que acabam determinantes para existência da família Terra-Cambará. Mãe solteira, precisou largar a estância e tudo o que conhecia após uma tragédia sem precedentes que leva às lágrimas qualquer pessoa que tenha um coração. Junto do filho, da roca e da velha tesoura que cortou o cordão umbilical de Pedro, ela parte para Santa Fé, onde muitos anos depois, Capitão Rodrigo Cambará apeia do cavalo e se apaixona perdidamente por Bibiana Terra.

Capitão Rodrigo é um homem do mundo e, acima de tudo, das guerras. Não tem pátria, apenas ideias e uma paixão enorme por viver. Vivia de guerra em guerra e dormindo com quantas mulheres quisesse até o momento em que bateu os olhos em Bibiana Terra e se apaixonou ao ponto de enfrentar o filho do Coronel Amaral, "dono" daquelas terras, que também tinha se interessado por ela.

"Se vosmecê disser que não quer dançar comigo, vou-me embora desta casa. Se vosmecê disser que não quer saber de mim, vou-me embora de Santa Fé para nunca mais voltar. Mas, por favor, diga alguma coisa!" pg. 223

O livro é maravilhoso, com uma escrita leve e fluída. Os diálogos são intensos e gosto principalmente das conversas do Capitão Rodrigo com o Padre Lara, a quem várias vezes quase enlouqueceu. Mas nessa obra, a personagem que ganha o meu coração é Ana Terra, sem dúvidas. Mulher que teve a força forjada pelo tempo duro em que viveu e por todas as tragédias que permearam sua vida, ela é de quem me lembro quando falo ou penso em O Continente. O amor vivido por Bibiana Terra e Capitão Rodrigo Cambará vem logo depois: não é convencional, é intenso e várias vezes temos vontade esganar o capitão e, da mesma maneira, Bibiana por se permitir viver algumas situações. Mas as páginas vão correndo e vamos compreendendo que apesar de suas falhas e do espírito meio torto de Rodrigo - que Bibiana tinha ciência - ele a amava. E Bibiana, da mesma maneira, não se importava com o que os outros pensassem contanto que ele ainda a amasse.

"Podiam dizer o que quisessem, mas a verdade era que o capitão Rodrigo Cambará tinha voltado para casa." Pg. 297
A guerra é outro personagem frequente e relevante na história, seja na luta sem fim contra os castelhanos, seja na revolução farroupilha, ou, ainda, no sítio sofrido por Licurgo Cambará e sua família no sobrado, muito tempo depois de Ana Terra ter morrido. É o vilão mais cruel do livro, porque quando a gente menos espera, arrebenta a guerra e, consequentemente, arrebentam-se as famílias.

"Mas a guerra para ela não era novidade. Tudo isso já aconteceu antes, muitas, muitas vezes. Viu guerras e revoluções sem conta, e sempre ficou esperando. Primeiro, quando menina, esperou o pai; depois, o marido. Criou filho e um dia o filho também foi pra guerra. Viu o neto crescer, e agora Licurgo também está na guerra. Houve um tempo em que ela nem mais tirava o luto do corpo." Pg.35

A edição que eu tenho da Companhia das Letras é a edição econômica que compila O Continente I e O Continente II em um único volume. Os textos são integrais de maneira que a única coisa que realmente me fez falta em termos de edição foi a orelha da capa, mas sua ausência é perfeitamente normal em edições assim. O prefácio escrito por  Regina Zilbernan, doutora em letras e professora na PUC-RS, explica alguns fatores de caráter social e histórico que ajudam na compreensão da obra, assim como um mapa do Continente de São Pedro e a árvore genealógica da família Terra-Cambará. 

terça-feira, 3 de julho de 2018

[Crônica] Se você não pode falar, não deve escrever

"Aquilo que a gente não pode dizer com a boca, também não deve escrever num papel." As Vinhas da Ira, pg. 30
Tom Joad disse essa frase ao reverendo Cassy em As Vinhas da Ira quando explicava o motivo de seu pai não gostar de escrever cartas. Foi a primeira das inúmeras reflexões que John Steinbeck me obrigou a fazer durante a leitura de sua obra.

É um conselho antigo, já o ouvi de pessoas mais velhas do que eu diversas vezes mas, de alguma maneira, foi só após ler esse trecho em específico que eu o entendi por completo.

Somos a geração do imediatismo, queremos porque queremos e queremos agora. Estamos sempre correndo de um lado para outro, correndo atrás do que julgamos ser importante para nós no momento. E em meio a essa pressa desenfreada de ser alguém, de ser a nossa melhor versão, não pensamos, apenas agimos. Somos levados pelas emoções do momento em que vivemos e simplesmente fazemos, sem pensar que toda a ação gera uma reação.

Já tive alguns problemas com redes sociais, especialmente mensagens de Whatsapp. Eu lia do jeito que eu queria e respondia o que me desse na telha. Se eu me sentia ofendida, imediatamente atacava. Não pensava em nada, apenas em fazer com que a pessoa do outro lado sentisse que eu não tinha gostado do jeito como ela falava comigo e que eu não levava desaforo pra casa. Na maior parte das vezes, era eu quem entendia errado e brigava com as pessoas simplesmente pela minha falta de vontade de interpretar o que eu estava lendo.

A instantaneidade com que mandamos e recebemos mensagens hoje facilita muito esse tipo de comportamento. Não refletimos, não conversamos. É contraditório que, apesar das milhares de mensagens por dia que trocamos, nossa capacidade de diálogo tenha regredido tanto. Trocamos mensagens, mas não trocamos mais afeto. Não nos importamos em compartilhar nossos pontos de vista, em nos aproximar de quem temos afinidade; queremos mesmo é cutucar quem é diferente de nós e empurrar goela abaixo o que pensamos, afinal, ser do contra nunca esteve tão na moda.

Eu recebia uma mensagem e nem pensava direito sobre o que estava escrito; já saia respondendo. Quantas vezes me arrependi e já era tarde demais. Quantas vezes magoei e me deixei magoar por não conseguir refrear os meus dedinhos frenéticos no teclado do celular.

A frase de Tom Joad me trouxe uma rajada de ar fresco. Me fez parar, pensar. Se você não pode falar, não deve escrever. Complicado, né? Talvez mais complicado seja ter de correr atrás do prejuízo pra tentar consertar algo que não precisava ter sido quebrado. Optei por pensar que esse é um exercício simples, mas que requer prática diária. Na dúvida, alio a frase de Tom Joad com um provérbio:
 "Até mesmo um tolo passará por sábio se mantiver a boca fechada; e se dominar a língua, parecerá até que tem grande inteligência."




quinta-feira, 28 de junho de 2018

[Resenha] Volta ao Mundo em 80 Dias - Jules Verne

Jules Verne é um escritor francês, famoso por suas ficções científicas. Foi mandado para Paris aos 20 anos para estudar direito e conheceu Alexandre Dumas e Victor Hugo: desejou escrever livros usando a geografia como o autor de os Três Mosqueteiros usou a história.

Volta ao Mundo em 80 Dias é uma das centenas de obras escritas por Verne no decorrer de sua vida. Nele, somos apresentados a Phileas Fogg, um excêntrico e metódico membro do Reform Club, e a Chavemestra - no original, em francês, Passepartout, seu fiel criado. Phileas Fogg frequenta o Reform Club religiosamente todos os dias e ao mesmo horário.Tem horários muito regrados e os segue à risca, coisa que agrada muito à Chavemestra.

Porém, em determinado dia no clube, em meio a conversas sobre um assalto há um banco, Phileas Fogg faz uma aposta com seus amigos: ele daria a volta ao mundo em 80 dias exatos. Assim sendo, munido de uma maleta com alguns poucos pertences, uma sacola com dinheiro e seu fiel criado Chavemestra, Fogg parte em viagem. Porém, ao longo do livro somos surpreendidos por algumas adversidades, como o fato de Phileas Fogg estar sendo investigado pelo agente de polícia Fix pelo assalto ao banco ocorrido alguns dias antes.

É um livro gostoso de ler, desperta a curiosidade e prende o leitor. A minha maior dificuldade esteve na linguagem: o livro que eu comprei é uma versão de bolso da editora L&PM Pocket com texto integral, ou seja, não é uma edição com linguagem atualizada. Porém, vencido esse obstáculo, viajei junto com Fogg para todos aqueles lugares e entendi porque Jules Verne é tão falado quando se fala em literatura infanto-juvenil. Todos os problemas nas viagens, seja linhas ferro inacabadas ou duelos no meio de uma viagem ou, ainda, o salvamento de uma jovem indefesa, faz com que o leitor compre a aventura e queira, também, dar a volta ao mundo.

Sobre os personagens, apesar de admirar muito a persistência e as certezas de Phileas Fogg, quem roubou meu coração foi Chavemestra. A lealdade inquestionável dele, junto com uma ponta de ingenuidade, fazem com que o pobre criado se envolva em muitas enrascadas no decorrer do livro. São dele todas as cenas engraçadas e me identifiquei muito com seu jeito efusivo: sempre que estavam no meio de alguma dificuldade, Phileas Fogg mantinha toda a calma do mundo, enquanto Chavemestra praguejava e brigava com todos que se metiam nos interesses de seu mestre.

"Phileas Fogg assistia àquele espetáculo de um mar revolto, que parecia lutar diretamente com ele, com sua habitual impassibilidade. Seu semblante não se fez grave um só instante, e, no entanto, um atraso de vinte e quatro horas poderia comprometer toda a sua viagem fazendo com que perdesse a partida do navio de Yokohoma. Mas esse homem sem nervos nem se impacientava, nem se aborrecia." Pg 123
"Chavemestra, como se as vinte mil libras da aposta devessem sair do seu bolso, não sossegava mais. Aquela tempestade o exasperava, aquela ventania fazia-o furioso: ele não teria se negado a chicotear o mar desobediente!" Pg. 124 

Phileas Fogg conseguiria vencer a aposta e dar a volta ao mundo em 80 dias? Esse questionamento permeou a minha cabeça durante toda a leitura e só foi respondido no último capítulo. Um final delicioso, que fez jus a toda a aventura vivida.

domingo, 24 de junho de 2018

[Resenha] Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez

Fazia algum tempo que Cem Anos de Solidão tinha chamado a minha atenção, não sei se pelo título que desperta curiosidade, se pela fama do autor e do Nobel de Literatura ou pelo fato de ser uma das principais obras latino-americanas. Sempre me falaram do quanto era uma obra complexa e ao mesmo tempo incrível; só li maravilhas acerca do autor. Então imaginem qual foi a minha frustração quando comecei a ler o livro e me senti totalmente desconectada da história.Mas calma, essa resenha não é uma crítica. Porque quando me despi do conceito de realidade e aceitei Macondo e a família Buendía exatamente como eles são, a conexão tornou-se imediata.

Tudo que ouvi acerca de Cem anos de solidão é verdadeiro; da dificuldade na leitura à todos os elogios.  Foi um amadurecimento enorme pra mim, como leitora. Me enriqueceu, me fez imaginar e viajar. Mas pra isso, precisei ignorar o que eu considero normal e deixar algumas crenças pessoais de lado. Quando você se liberta de tudo o que te envolve, de todas as coisas que acredita, Gabo te leva a uma experiência completamente inesquecível.

Úrsula Iguarán e Jose Arcadio Buendia são primos que se casaram e fundaram o povoado fictício de Macondo. Juntos tiveram três filhos: Aureliano, José Arcadio e Amaranta e, mais tarde, adotaram Rebeca, filha de supostos parentes de Úrsula. O maior medo da matriarca da família, antes da fundação do povoado, era de que os filhos nascessem com rabo de porco devido ao parentesco com José Arcadio Buendía. O temor não se concretiza, mas, seguidamente, ela culpa as loucuras dos filhos ao fato e refere-se a sua casa como "a esta casa de loucos."

"Os filhos herdam as loucuras dos pais"
Pg. 42

O livro, então, conta a história do povoado, que é atrelada a família Buendía. A dificuldade na leitura vem do fato de que todos os descendentes recebem os nomes de seus antepassados, ou seja, há muitos Aurelianos e José Arcadios na história, o que pode confundir um pouco; diversas vezes precisei usar uma árvore genealógica pra me localizar. 

Outra complicação se dá porque nada em Cem Anos de Solidão acontece de maneira "normal": pessoas aparecem e reaparecem sem explicação, personagens se tornam fantasmas e interagem com os vivos, fenômenos naturais acontecem de forma estranhíssima e relações familiares acontecem de maneira bem intensa. Mas, com o passar do tempo, todas essas coisas, inicialmente, complicadas de se absorver, vão se tornando normais e o leitor vai se aproximando dos personagens e passa a viver em Macondo também, a comemorar com vitórias e sofrer com derrocadas.

Não foi um amor a primeira vista, quis desistir exatas três vezes. Mas, aos poucos, Cem Anos de Solidão foi se enraizando e me conquistando ao ponto de eu terminar a última linha com lágrimas nos olhos e louca pra ler de novo. Terminei a leitura com aquela sensação de que a magia acontece quando nos libertamos de crenças, de ideias pré-determinadas. E que pra viver o impossível é preciso apenas acreditar e se libertar!


"Porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tem uma segunda chance sobre a terra." Pg. 364

terça-feira, 19 de junho de 2018

[Resenha] 1984 - George Orwell

Guerra é paz
Liberdade é escravidão
Ignorância é força

Esses são os três slogans do Partido que comanda a Oceânia, país onde Winston, o protagonista, vive. Um país onde a privacidade e a liberdade de pensamento simplesmente não existem. Todos eram vigiados a todo momento, seja através das chamadas teletelas ou, às vezes, por outras pessoas, que não vacilavam diante da perspectiva de denunciar alguém a Polícia das Ideias.

O partido ditava o que as pessoas deveriam ser e, principalmente, como deveriam pensar - e se deveriam. A sociedade era dividida em três ramificações: o núcleo do partido, a parte mais abastada dessa sociedade, o partido exterior, classe a que Winston pertence, que vivem de maneira menos abastada que o núcleo, mas tem um padrão de vida muito melhor que o dos chamados proletas,  a terceira camada dessa sociedade, os mais pobres e miseráveis que viviam a margem da sociedade e a quem o partido não dedicava muita atenção.

Winston apresenta ao leitor esse mundo enquanto toma a decisão perigosa de escrever um diário. Ele explica a respeito das teletelas, ligadas 24 horas por dia, capazes de ver e ouvir o que se fala o tempo inteiro. Fala sobre a Polícia das Ideias e a liga dos espiões junior, que investigam todo e qualquer indivíduo suspeito de crime do pensamento, essa última causando um certo desconforto quando acrescenta que as crianças espiãs não vão demorar para denunciar seus próprios pais.

"De repente duas crianças estavam pulando em volta dele, gritando 'Traidor!' e 'Criminoso do pensamento!' , a garotinha imitando o irmão em todos os movimentos. Por alguma razão aquilo era um pouco apavorante, como as cambalhotas dos filhotes de tigre que não tardarão a crescer e tornar-se devoradores de homens." Pg. 34

Winston, por alguma razão, tem consciência da manipulação do Partido e é contrário a ela. Mas não consegue prova alguma, tudo está apenas dentro da sua memória. Ele se recorda de que antes da grande guerra, as coisas pareciam melhores do que o Partido diz que são atualmente. Mas ninguém mais se lembra, o que faz com que ele, eventualmente, duvide de sua própria sanidade mental.

É nesse cenário que ele conhece e se apaixona por Júlia, secretamente rebelde contra o Partido também,  mas num grau diferente do de Winston. Os dois passam a manter um caso proibido, tentando esquivar-se a todo o momento da morte que viria caso fossem descobertos. E é então que o leitor é arrebatado pela história.

É simplesmente agonizante! Dividido em três partes, o livro me trouxe calafrios a partir da metade dele. Quando Winston recebe um livro supostamente escrito pelo revolucionário Goldstain e o lê, entramos de cabeça no pensamento nefasto da cúpula de quem rege a sociedade em que ele está inserido.

No livro dentro do livro nos é explicado o porquê de uma guerra interminável - ora contra a Eurásia, ora contra a Lestásia. E, principalmente, o mecanismo que fez com que a sociedade de Oceânia permanecesse imutável: o Grande Irmão está no centro de tudo, tudo o que acontece, ocorre por sua inspiração e liderança, mesmo que ele não passe de um rosto e uma voz na teletela. É o foco de todo o amor e reverência das pessoas. Abaixo dele, vem o núcleo do partido, a parte pensante da sociedade, o que a mantém como ela é, e, logo abaixo, o Partido exterior. Os proletas vivem à margem dessa sociedade. E ser membro dessas classes não é hereditário,  um exame é feito aos 16 anos. Ninguém sabe quem governa a Oceânia,  só sabe que não são ligados por parentesco, e sim pela "adesão de uma doutrina comum".

"Não importa quem exerce o poder, contando que a estrutura hierárquica permaneça imutável. " pg. 247

A maneira como o poder é tratado em 1984 causa náuseas. A busca por ele é dissecada bem na sua frente. "O poder não é um meio, é o fim." foi a frase que mais me marcou após a leitura. Dá dor de cabeça refletir sobre isso. Tudo volta ao mesmo ponto: o domínio dos seres humanos por outros seres humanos. O que sempre acontece por meio da dor e do medo.

Winston e Júlia tem um longo caminho pela frente. Em um mundo onde o amor ao outro, o sexo e as relações pessoais são fortemente desencorajados, não será fácil pra nenhum dos dois viverem aquilo que acreditam.

A Revolução dos Bichos já tinha me impressionado muito, mas 1984 superou tudo o que eu podia ter pensado sobre a obra. É uma leitura fácil de ler do ponto de vista literário, mas que nos destrói na medida em que avança.